penso no tempo que perdi pensando em como ser ou como agir pra ser meu próprio herói dos pensamentos. aquele que sempre diz a frase certa e age na hora que deve agir. o que sonha, o que beija, o que pensa, o que vive, o que sonha. que sonha por ser eu, por ser meu herói dos sonhos.
nunca fui quem eu queria ser. nem serei, por não ter em mim a parte herói, a parte que faz de mim um ser amorfo, com capacidade de moldar e de mudar mim mesmo, se dado um só milésimo de segundo. não sou quem quero, não serei quem quero.
não sou o mesmo garoto daquela época, decerto, não sou. mas a mudança não se faz durante uma noite de sonho. não se faz de um pensamento ao outro, como se espera de quem é como quero ser. se muda, sim, quando toma-se uma caneca inteira de café e lembra-se do que aconteceu antes das luzes se apagarem.
não é por causa disso que movimento. não é pra ser herói que mudo o passo. que turvo a água suja que corre em minhas veias. que perco meu controle a cada vez que tudo se repete, que tudo vem à tona, como o inimigo oculto que não cansa de morrer.
é por causa de uma nova chance, uma página que assino e jogo ao vento, uma lágrima que escorre pelo esgoto. de um desespero quase que sereno, de ver a chuva, ver como era pleno, passado triste e ameno, e agora certo ao esquecimento.