Enquanto isso, no copo de café...
Hoje, enquanto eu tomava o melhor, maior e mais barato cafézinho da cidade, na minha padaria mais amada e querida, divagava, olhando pro copão de café e mexendo nele com a colher. Divagava sobre todo esse negócio de todo mundo ter alguém pra amar. Normal, romântico que sou, vivo pensando nessas coisas bobas.
Entre um gole e um "ai, queimei minha língua", eu pensava em cada uma das qualidades que alguém devia ter pra ser perfeita pra mim. Eu sei, não existe esse negócio de alguém perfeito, mas eu tava com a língua queimada, tava fora de mim. Não conseguia pensar direito, o cara que tava do meu lado não parava de admirar meu casacão de inverno de nove bolsos, dupla-face e vários botões.
Então, esperto que sou, fingi estar pegando o açúcar e derrubei o pingado dele no balcão, coitado, enquanto pedia desculpas e dizia que eu ia pagar pelos 70 centavos do outro pingado pro marmanjo. Ele começou a limpar a bancada e eu finalmente tava livre pra pensar sem alguém olhando pro meu casaco e fungando no meu cangote.
Antes de pensar em alguém perfeita, com tudo de bom, pensei que isso seria impossível. Daí, elaborei uma linha de pensamento baseado no que eu gostava de cada pessoa que me rodeava. Cada pessoa do sexo feminino, é claro. Pensei em todas minhas amigas queridas e elaborei uma lista mental sobre as melhores e as piores características. Afinal, se é pra amar alguém perfeito, tem que se amar os defeitos também.
Começei. Peguei um papelzinho, a caneta que eu usei na prova de matemática e começei. Antes de tudo, o aspecto visual. Acho que teria dezenas de combinações que me agradariam. Mas todas elas incluem um cabelo curtinho e bonitão, um corpo não muito esbelto nem muito feio, minha altura ou menos e um rostinho fofinho. Fofo que eu digo não é gordinho não, é fofinho mesmo, daqueles que você olha e fala "óun, não é que ela é monitinha?"
Na verdade, acho que não sou muito exigente com o aspecto visual. Tem umas coisas que dão um tcham, outras que dão um tcharam, mas nada que faça tcham-tcharam-tcham-tcham.
Depois, pensei em como ela deveria ser em si. Teria que ser independente, corajosa, impetuosa e underground como a Dé, companheira, sincera, amiga e carinhosa como a Akemi, boa de papo, fofinha, tudo de bom e novinha como a Mari, com alternâncias de humor, fofurinhas, abraços e carinhos e com o cheirinho bom da Lili, legal, super pop, com gosto musical bem abrangente e acompanhante em shows como a Aninha. Claro que tem várias coisinhas pequenas, mas essas a gente pode pular, porque cada um é cada um e tem seu próprio jeito. E também tem características de outras, mas eu ficaria aqui o dia inteiro.
Tomei o último gole, pedi desculpas ao cara do pingado, dei um tapinha nas costas dele e falei que tinha uma loja no shopping que tinha um casaco igual ao meu. Ele disse obrigado e que eu não precisava pagar o pingado dele. Como se eu fosse, mesmo, pagar. Eu ia passar no caixa dizendo que era só um cafézinho e depois ele que se entendesse com a mulher do caixa.
Andei, peguei o ônibus e o cobrador me perguntou "e aí, cara, como que vai esse coraçãozinho, hein?"
Entre um gole e um "ai, queimei minha língua", eu pensava em cada uma das qualidades que alguém devia ter pra ser perfeita pra mim. Eu sei, não existe esse negócio de alguém perfeito, mas eu tava com a língua queimada, tava fora de mim. Não conseguia pensar direito, o cara que tava do meu lado não parava de admirar meu casacão de inverno de nove bolsos, dupla-face e vários botões.
Então, esperto que sou, fingi estar pegando o açúcar e derrubei o pingado dele no balcão, coitado, enquanto pedia desculpas e dizia que eu ia pagar pelos 70 centavos do outro pingado pro marmanjo. Ele começou a limpar a bancada e eu finalmente tava livre pra pensar sem alguém olhando pro meu casaco e fungando no meu cangote.
Antes de pensar em alguém perfeita, com tudo de bom, pensei que isso seria impossível. Daí, elaborei uma linha de pensamento baseado no que eu gostava de cada pessoa que me rodeava. Cada pessoa do sexo feminino, é claro. Pensei em todas minhas amigas queridas e elaborei uma lista mental sobre as melhores e as piores características. Afinal, se é pra amar alguém perfeito, tem que se amar os defeitos também.
Começei. Peguei um papelzinho, a caneta que eu usei na prova de matemática e começei. Antes de tudo, o aspecto visual. Acho que teria dezenas de combinações que me agradariam. Mas todas elas incluem um cabelo curtinho e bonitão, um corpo não muito esbelto nem muito feio, minha altura ou menos e um rostinho fofinho. Fofo que eu digo não é gordinho não, é fofinho mesmo, daqueles que você olha e fala "óun, não é que ela é monitinha?"
Na verdade, acho que não sou muito exigente com o aspecto visual. Tem umas coisas que dão um tcham, outras que dão um tcharam, mas nada que faça tcham-tcharam-tcham-tcham.
Depois, pensei em como ela deveria ser em si. Teria que ser independente, corajosa, impetuosa e underground como a Dé, companheira, sincera, amiga e carinhosa como a Akemi, boa de papo, fofinha, tudo de bom e novinha como a Mari, com alternâncias de humor, fofurinhas, abraços e carinhos e com o cheirinho bom da Lili, legal, super pop, com gosto musical bem abrangente e acompanhante em shows como a Aninha. Claro que tem várias coisinhas pequenas, mas essas a gente pode pular, porque cada um é cada um e tem seu próprio jeito. E também tem características de outras, mas eu ficaria aqui o dia inteiro.
Tomei o último gole, pedi desculpas ao cara do pingado, dei um tapinha nas costas dele e falei que tinha uma loja no shopping que tinha um casaco igual ao meu. Ele disse obrigado e que eu não precisava pagar o pingado dele. Como se eu fosse, mesmo, pagar. Eu ia passar no caixa dizendo que era só um cafézinho e depois ele que se entendesse com a mulher do caixa.
Andei, peguei o ônibus e o cobrador me perguntou "e aí, cara, como que vai esse coraçãozinho, hein?"

