Tive um dia bem peculiar hoje. Sem dúvida um dos melhores da minha vida (ou a minha memória está se tornando mais lixo do que já era). Não sei se rio ou se choro, na verdade, porque hoje eu fiz muito dos dois. Se não estiver interessado, prezado chuchu, pule pro fim, sim?
Levantei da cama, como em um dia qualquer, com muito sono. O que eu quis dizer acho que você não captou: eu disse muito sono. Corri, comi, escovei, peguei, ouvi, saí. Cheguei no colégio na hora de sempre.
Subi as escadas (três andares. Ainda acho que deviam colocar as salas dos alunos do segundo e terceiro anos no primeiro andar. A gente tá ficando velho, afinal), dei de cara com o pessoalzinho da outra turma, da 2001, e coloquei a mochila no meu lugar de sempre, primeira carteira, primeira fileira. Saí, fui pra outra sala, a da 2001, e fiquei por lá batendo papo com os amigos, como sempre.
O professor apareceu, voltei correndo pra sala e começou a tortura. O que eu quis dizer acho que você não captou: eu disse tortura. Isso mesmo. Eu, aluno dedicado (haha) e estudioso (nossa, eu sou muito engraçado), queria prestar atenção na aula (tá, essa foi séria), como sempre. Apareceram os repetentes, aliados aos mauricinhos, aos imbecis e aos estúpidos e começaram a me encher o saco, como de costume. Bolinhas de papel de um lado, palavrões em voz alta de outro, uma ou outra insinuação quanto ao meu apelo sexual (do qual estou convicto de minha posição, de ladinho) e muita, muita chatice.
Não sei se já disse a vocês, mas se disse, digo de novo: sempre fui um cara pavio curto, daqueles que se esquenta fácil. Eu era briguento quando era pequeno. Entrei numas cinco ou seis brigas e perdi uma. Mas isso não vem ao caso. Faz uns anos, uns dois ou três, que eu consegui me controlar, virei esse cara pacífico e sem crises (ahaha) que sou hoje. Mas então, chega de flashback.
Foi então que meu apelido novo fez-se digno (é, a Belinha agora me chama de Lúcifer. Não sei por que, não sei se gosto ou não. Ela me chama de demônio e eu digo que é preconceito, que eu sou é um anjo caído. Capeta ainda passa. Mas demônio não, faça-me o favor). Depois de muita putaria (na verdade essa palavra foi só pra deixar você alerta, viu), muita baixaria (essa é séria) e muita encheção (isso existe?) de saco, um amigo velho (ou um velho amigo? Ou, quem sabe, os dois?), Bruno (que nesse momento havia se aliado aos idiotas S.A.), veio me pedir "desculpas", como uma última zoação.
Perdi a linha e se não fosse o Diego do meu lado (pois é, cara, me segurei pra não fazer besteira do seu lado) eu tinha socado a cara do moleque. Segurei ele pela camisa, torci e esbocei um tapa, enquanto via a cara incrédula (e gorda) do Bruno. Percebi o que tava fazendo, soltei, ele foi embora, chocado (mesmo que não fosse ovo) e eu, de cabeça quente, chorei. Mas não chorei por besteira não. Chorei de raiva mesmo. O coração batendo forte, músculos contraídos, força triplicada e muita hesitação.
Assim, decidi não voltar mais àquela sala maldita, decidi ficar na 2001. Claro, eu não posso simplesmente dizer "olha, agora eu sou da 2001". Mas eu enrolo os professores, eles me ajudam e eu ganho a liberdade (isso me soa meio Castro Alves).
Não sei se já disse a vocês, mas se disse, digo de novo: perdi o fio da meada. Peraí. Ah, sim, tenho um amigo (porque ele é antes amigo do que professor de literatura) que tá fazendo de tudo por mim e contra eles. Acho que ele ficou mais bravo que eu, mesmo que eu tenha chorado de raiva. (propaganda) E tenho que agradecer ao querido (piada interna) mano Pierre (/piada interna) porque foi simplesmente mágico o que você fez por mim. Valeu mesmo. (/propaganda)
O que eu queria dizer ali em cima e que perdi o fio da meada e acabei enrolando era que aqui a gente tem aulas de tarde nas terças e quintas. Tinha que voltar de tarde pra mais três aulas. Decidi fazer as aulas na outra turma. Aproveitei a festa de Laurinho, de química orgânica (nhéca), fiquei com meus amigos e me diverti como nunca (hahaha) havia antes (mas vem cá, sério agora, fazia uns tempos que não me sentia tão feliz e tão relaxado como hoje, na outra turma. Na minha turma, agora).
A 2001 está toda me apoiando a mudar pra lá, e até aquela grandinha (desculpa) que eu odiava (ai, esses preconceitos) apareceu e disse que se a coordenação não deixasse eu mudar de turma, ela ia meter a cara na reta pra me defender. Acho que devo mudar meus conceitos. Bem, é só uma dica. Ou não.
Quero ficar aqui pra sempre, 2001. Simplesmente amei ter aulas com vocês. E se querem realmente saber, acho que eu só tava esperando por isso, por uma desculpa plausível pra que eu mudasse de turma. Pois é, só não sabia que ia demorar tanto.
E eu fui, sozinho (mas acompanhado), como sempre, feliz para sempre, enfim, amém, em o nome do senhor Jesus. \o/