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sábado, novembro 27, 2004
Soneto do Amor Total

mo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinícius de Moraes
-Que vergonha, seu Luciano, deixando seu blog por duas semanas?
-É, a vida dura das férias vem me estressando muito e se eu não espairecer, não sei se sobrevivo.
-Mas doutor Luciano, isso não é desculpa!
-Eu sei, eu sei. Amanhã, quer dizer, hoje de manhã, às oito, tenho a prova final do curso de inglês. Não estudei e ficarei na internet até as três. Sei lá como farei essa prova, mas tenho de tirar uma nota boa, pois ela vai pro diploma.
-Então vá dormir, tio Luciano! Seja feliz, durma e tire uma boa nota amanhã, quer dizer, hoje!
-Não consigo dormir. Ontem assisti o Inter Cine, aquela sessão de filmes que passa das 3 da manhã até não sei quando. Não tenho sono nenhum. Nem vi o filme direito, mas não consegui dormir.
-Você é louco, professor Luciano!
-Agora que você descobriu, gafanhoto?
sábado, novembro 13, 2004
Auto-biografia de um falso

Quando eu tinha apenas onze anos, já sabia que não era como um dos outros garotos da escola. Nunca gostei da mesma coisa que eles, nunca brinquei com muitos deles.

Meus pais nunca ligaram para o que eu sentia, nem ligam pro que sinto. Nunca tive problemas com eles, problemas relevantes. Ás vezes me colocavam em uma escolinha de alguma coisa, algo como natação ou teclado. Fiz muitos anos de ambos, mas nada aproveito deles agora. O normal na época era isso: lotar seu tempo ocioso e precioso com coisas basicamente inúteis, que só serviriam para alguma coisa se quisesse ter saúde (o que realmente não tenho) ou impressionar os outros (posso fazer isso sem escolinha, apenas usando de palavras fáceis).

Naquela época, eu ainda não tinha impulsos sexuais, como tenho agora. Era apenas um garoto diferente dos outros, pra melhor, eu diria. Naqueles tempos, naqueles áureos tempos, eu apenas servia para pensar pouco, rir muito e mostrar notas ótimas. Naquela idade eu não sabia o que era.

Com treze anos, uma revolução. Pareceu que meus hormônios me despertaram, me fizeram começar a pensar e, então, descobri que eu realmente era bem diferente: um garoto solitário e pensativo.

Eu, mesmo agora sabendo o que era, continuei no mesmo. Continuava rindo com os "amigos", tirando notas excepcionais e escondendo esse meu lado lindo e romântico, pensativo e sonhador. Tentava ir contra o rumo natural, mas o pensamento e a fixação não me deixaram.

Então, fui me afastando de minha vida social. Não ia à festas, não saía de casa desnecessariamente, não queria saber mais de rir. Meus "amigos" agora descobriram uma pessoa diferente em mim, mas não sabiam exatamente quem era.

Posso responder o que era. Era um cara falso, mentiroso, que fingia ser alegre apenas para não perder o pouco que tinha, um chantagista, um idiota que não sabia nada. Um escrotinho. Continuei um ano assim.

Aos catorze, na verdade a partir dos catorze, conheci uma série de pessoas que me tiraram desse caminho. A primeira e mais importante, conheci na escola mesmo, meu professor de matemática. Mário, nunca me esquecerei de você, cara, mesmo que hoje mesmo não se lembre mais de mim, não me cumpimente mais. Ele me mostrou que eu não era aquela pessoa forte que achava que era, aquela pessoa inteligente que achava que era. Naqueles meses de aula que tive, ao mesmo tempo que minhas notas caíam até sessenta (uma nota nunca antes tirada por mim), ele se mostrava um cara realmente inteligente. Mais inteligente que todas as pessoas que já vi, que já conheci. Com apenas vinte e quatro, ele dava aulas de química e matemática, formado nas duas, e nem por causa disso se mostrava assim. Era apenas mais um tutor bem humorado e piadista. Um cara muito humilde.

A segunda pessoa, não menos importante, foi o Álvaro. Meu grande amigo, nunca me abandonou, mesmo estando a milhares de quilômetros daqui. Ele era (e é) um cara igualzinho a mim, nos gostos e nas ações. Bem inteligente, astuto, sagaz e realmente interessante. Ele me formou e informou durante esses dois anos que o conheço. Um exímio escritor e um fiel e grande amigo. me ensiou muitas coisas impressionantes, me ajudou a ser o que sou hoje, me ajudou a descobrir quem eu era.

A terceira, foi a minha amiga Luciana (não confundam, ok?). Também muito parecida comigo, inteligente (mesmo que não reconheça isso e ache que não o é) e linda (pelo menos nisso é diferente, mas não muito, de mim). Ela abriu meus olhos para a maravilha da literatura online, mesmo que não saiba disso. Te adoro, girl.

Quando entrei no segundo grau, ensino médio, me formei quanto à personalidade. Solitário, introvertido, anti-social, mas muito bem humorado, inteligente, romântico e até certo ponto humilde. Depois de ter passado belos sufocos com Mário, percebi que eu era idiota e irresponsável, que me apoiava em minha facilidade acadêmica em vez de aprimorá-la. Ele puxou meu ponto de apoio, e eu caí na armadilha dele, feito um patinho. Me mostrou que eu não era um cara inteligente, apenas capaz. Me ensinou que capacidade é diferente de força, que , mesmo sendo capaz de acertar, qualquer um pode errar, ou até se tornar um erro. Decidi então melhorar meus estudos e melhorar cada vez mais para que, algum dia, mesmo que me torne professor, saiba quem sou e o que faço.

Conheci muitos caras que são e foram muito importantes para mim nesse ano. Marcão, você foi o cara mais importante que já conheci em carne e osso. Você me mostrou meu futuro de vida, minha utopia de ser. Você me mostrou que em tudo na vida há uma grande parte má, mas que com empenho odemos nos tornar amigos, e grandes amigos, dos inimigos. Me ensinou que se começar bem, mal não terminará. Me ensinou que se tiver autoridade, dela se deve gozar e dela se deve tirar o sumo. Se eu algum dia ganhar um prêmio, seja pelo que for, será todo seu. Pierre, grande bombadão sentimental, você me mostou a alegria e o romantismo por trás de um dos mais brutos homens que já conheci. Me mostrou que eu posso ser o que quero ser. Me ensinou literatura, me mostrou todo um universo inteiro de coisas novas. Uderson, você me mostrou que um homem que batalha na vida vira o Google, vira um homem tão inteligente que, mesmo sem muita formação, impressiona a qualquer um. Me mostrou que ser politicamente correto não quer dizer ser petista ou comunista.

Conheci pessoas internéticas também. Lívia, te gosto muito. Adoro nossas conversas sobre qualquer coisa. D, Você ainda não é uma pessoa com muita presença, mas mesmo assim sinto que você é uma pessoa mointo legal. Pena que não aparece. Lucita Arqueira e Syl, Vocês são ótimas, adoro vocês. Venham me visitar e não façam cara feia, ok?

Hoje, com quinze anos, ainda não sei quem sou, somente superficialmente. Sei que sou um suicida que não passará dos cinquenta. Um homem de capacidades absurdas, mas pensamentos pequenos. Um cara que ama, sem ter ninguém. Um chinês em um caminhão de chineses, um solitário. Um romântico sem amor, um trem sem vapor. Um espelho sem brilho, um idiota.

Um homem qualquer.
domingo, novembro 07, 2004
Viagem do amor
Sempre que me comprometi, não foi por amor. Nunca amei quem namorei, nunca namorei quem amei. Nunca senti o amor na pele, nos lábios, nunca pude descrever o que sentia. Apenas dizia "É amor", mesmo sem saber o que era, muito menos sabendo o que dizia.
Entrei em profundo desespero e descontentamento. Deveria haver uma explicação para tudo aquilo que todos, sem exceções, sentimos, sentíamos ou sentiremos. Percebi que apenas me tornaria um louco se continuasse ali, parado, sem resposta. Decidi rodar o mundo, destruí-lo e criá-lo novamente, tudo o que fosse necessário para saber um motivo para aquela dor.
Peguei a mala, chaves, roupas, música, muita música. Um caderno para, se necessário, anotar ou narrar algo que de fato acontecesse. Alguns livros, não viveria sem eles e, não menos importante, aquela dor no peito.
Viajei. Havaí, Tóquio, Pequim. Por mares, céus e caminhos eu caminhei, escalei, tudo na esperança de saber o que é o Amor. Fui ao topo do mundo, onde havia um templo budista.
Quando finalmente cheguei, perguntei, abrindo abruptamente os portões dourados do templo:
-O que é o Amor?
-Amor é felicidade. É dor que dói em paz.
-Tá, mas o que quer dizer com isso.
-Não sei ao certo, foi um poeta que me escreveu isso.
Senti a dor e o cansaço da jornada. Eu não sabia que era apenas o começo.
Voei. Voei até a África do Sul para encontrar o tal poeta. Enquanto isso, era como se o mundo girasse rápido, num redemoinho, e eu estivesse parado, sem opção, preso em uma prisão de sentimentos. Era como se o Amor me prendesse, trancasse e jogasse a chave fora.
Encontrei o poeta. Ele parecia inteligente, e parecia que minha jornada terminaria ali:
-O que é o Amor?
-Amor é morte. É força que te leva à loucura.
-O que quer dizer com isso.
-Não sei ao certo, aprendi isso com um valoroso malabarista.
Percebi que procurara no lugar errado novamente e que a resposta, apesar de verdadeira e séria, era risível.
Voltei. Minhas economias se somavam em zero. Estava sem um tostão, desesperado. Roubei. Consegui dinheiro necessário para minha jornada. Até para além dela.
Fui para a França, a França do Amor. procurei pelo malabarista e descobri que nada na vida dele parecia fácil:
-O que é o amor?
-Amor é tudo. É passado feliz e futuro triste.
-O que queres dizer com isso?
-Não sei ao certo, ouvi conselhos como este de um Rei.
Vendi. Minha mala, meus livros, minha música, tudo, menos aquela dor que me ardia o peito e me adentrava cada vez mais. Agora, o Amor aparecia diante de meus olhos, como miragem, como mulher. Eu delirava facilmente.
Cheguei aos prantos no castelo do Rei. Marquei uma audiência com ele e perguntei:
-O que é o Amor?
-Amor é nada. É passado triste e futuro promissor.
-O que quer dizer com isto?
-Não sei ao certo, um dia um velho com uma flor assim falou.
Nada mais me importava na vida. Não passava de mera ilusão. De repente me lembrei da mulher do Amor, com facas afiadas e desejo de retirar-me a paz. Fui retirado de meu estado pensativo por uma voz rouca e humilde:
-Amor é carinho. É espinho que não se vê em cada flor.
-Quê?
-Amor é vida quando chega a dor, florescendo o Amor.
Vi que era um velho sábio, provavelmente de quem o Rei me falara. Carregava uma linda rosa na mão.
-Não se mate, amigo, por causa do Amor. Como te disse, amor é vida quando chega a dor. E você sente a dor, não sente?
-Sinto, com toda a dor imaginável. Sinto como se essa dor pudesse me matar a qualquer momento, covardemente, para que não a descobrisse.
-Deixa de tristeza, meu caro.
Sirenes. Carros e mais carros chegam, com homens armados e uniformizados. Meus roubos foram descobertos e eu, que finalmente achei o que procurava, agora morreria com o segredo.
Enquanto minha vista embaçava e o choro de dor corria, o velho se ia andando calmamente. Ele, por um segundo, se tranformara naquela mulher. A mulher de meus delírios.