the words rot and fall away.
What a stupid poem
could fix this home,
I'd read it everyday"

Se eu me lembro de um dia lindo na minha vida, foi o dia no qual eu a conheci, aquela garota dos meus sonhos, a que me enchia os olhos de lágrimas, aquela que me dói só ao lembrar. Aqui escrevo sobre aquela noite, a maior e melhor noite da minha vida.
A noite estava estrelada, nenhuma luz se via. Eu e meus amigos do trabalho tínhamos decidido ir passar a noite em uma festa que iria ter na casa de um deles. Nós, como bons companheiros que somos, fomos todos pra um bar antes, pra já chegar lá bem calibrados. Eu, como de costume, não bebi, queria tirar daquela noite o sumo. Nunca fui de beber também, nunca me atraiu. Pois bem, como sempre lá fui eu pro volante, carregar aquela cambada de bêbados felizes pra festa.
Noite na estrada, estrelada, e eles me parando, dizendo que era ali a festa. Não sabia que era ali a casa dele, e nem ao menos ouvia o que eles diziam. Parei, não porque eles pediram, mas porque eu a vi, de blusa colorida e de saia estampada. Um de meus amigos disse que ela era amiga dele, nos apresentou. Ela virou, me olhou e então sorriu pra mim.
Então, eu acho que o tempo parou. A festa nem parecia estar ali, meus amigos não pareciam estar ali, somente ela, me abraçando, simplesmente me abraçando, como qualquer amigo de amigo faz ao se apresentar. Mas pareceu que toda uma vida eu ficaria ali, abraçado com ela, sem nenhum barulho, sem nenhum amigo, sem nenhuma festa, sem nada.
Então, fomos todos pra dentro da casa, pra dentro da festa. Todos dançando, meus amigos bebendo ainda mais, todos bebendo, enchendo a cara, bêbados, e eu bêbado de tanto beber de sua beleza. Nós dois pegamos uma cerveja cada um, saímos da casa e sentamos na escada de entrada.
Estávamos cheios daqueles tristes corpos descontrolados, cambaleando, bebendo, aquele cheiro de vômito e aqueles barulhos desagradáveis. Não que eu não goste de festas assim, acho até super legal, mas não vejo o porquê de beber e vomitar, pra acordar no outro dia baleado, com dores de cabeça, amnésia e tantos outros efeitos colaterais.
O que eu achei legal é que eu, mesmo sem beber, estava fora de mim, era outra pessoa diante dela. Eu conseguia falar mais solto, a elogiar, e ela me encarando com aquele lindo olhar. Ficamos ali, conversando sobre diversas coisas. Falamos da festa, do nosso amigo em comum, de estrelas, de estradas, de seu cabelo lindo, daquela noite.
Acabamos por deitar na grama, já molhada pelo sereno da madrugada. Olhamos pro céu, aliás, ela olhou pro céu, pois eu não conseguia tirar os olhos dela, conversamos ainda mais sobre as coisas da vida, crenças e destino, casos amorosos, felicidades, tristezas, aventuras. Rimos, e a cada vez que ela ria, o mundo parava pra vê-la.
A noite foi longa e linda, mas como tudo que é bom na vida, tinha que acabar. Disse pra ela que bem que eu queria, mas sabia que não dependia apenas de nós dois pra aquela noite continuar. Olhamos a aurora de um novo dia, juntos, vendo o degradê do céu matinal e toda sua poesia.
Ela disse “Não diga que amanhã é um novo dia, ou que vai ser, porque é fácil pra você dizer. Somente diga que vamos nos ver novamente, sim?” Combinamos de nos vermos na próxima festa que combinássemos, eu e meus amigos. Dissemos adeus. Dissemos adeus...
Não dissemos nada mais. Eu não disse que me apaixonei por ela, ela também não me disse nada, fiquei na dúvida, apenas esperando um próxima vez. Não houve outra vez, meus amigos decidiram não fazer mais festas, não agüentavam mais ficar tão bêbados e lavar aquela casa suja ainda com ressaca.
Depois daquele dia, tudo foi tão diferente, e a semana agora passa devagar. Parece que seu encanto permaneceu para toda minha vida. Seu encanto de fazer as coisas pararem, de fazer a vida durar mais, fazer a vida valer mais.
Pena que, quando fico com saudade ou com tristeza, aquele sofrimento também é eterno. Aquela dor é eterna. Aquela dor maior do que qualquer ressaca. Mas então eu lembro daqueles momentos felizes que eu tive ao seu lado, momentos lindos, e fico na esperança de que você apareça novamente do nada e dê novas cores pra minha vida.
E de vez em quando, ainda me pego imaginando, me pego pensando sobre tudo que eu queria te dizer. Elaboro todo um roteiro, toda uma estrutura emocional, todos os gestos e entonações. Escrevi um livro sobre ela, agora ganhei milhões.
Mas juro que trocaria todos os milhões, todas minhas coisas, todas as palavras, toda minha vida por mais uma noite perto dela. E eu me lembro que foi tão legal... Aquela noite era especial com a garota de floral.