A Dé quase me obrigou a falar sobre esse assunto, eu disse que ia ficar grande demais, mas ela insistiu. É sobre a minha teoria de que somos partes fragmentadas de opiniões, idéias e expressões de pessoas próximas, junto com nossa carga genética de personalidade. Não liguem se esse texto ficar muito viajante.
Começarei falando sobre a base. Quando somos bebês, gostamos de desafiar os pais com o que podemos ou não fazer. Isso é basicamente genético, instintivo, para que saibamos o que podemos ou não fazer, o que nos machuca, o que é bom. Também desafiamos os pais, porque ainda temos esses genes que descendem de espécies atrasadas, que precisavam lutar e desafiar autoridade de outros para sobreviver com mais conforto.
Um dos argumentos que apóiam essa tese é que aprendemos a língua que nossas pais e familiares ensinam. Um bebê brasileiro, mesmo que seja descendente direto de japoneses, irá aprender português (se os pais quiserem, claro). Não é algo pré moldado que nos faz aprender uma língua ou outra, mas sim a criação.
Nessa idade, fazemos amizades com membros do mesmo sexo, exatamente por sermos do mesmo sexo e termos os mesmos genes instintivos. Não temos sentimentos que nos juntem dos membros do sexo oposto, mas temos brinquedos que nos atraem aos membros do mesmo sexo.
Depois, enquanto crescemos, aprendemos com nossos pais, amigos e com a mídia, o que devemos gostar ou não. Se for moda gostar de Detonautas, eu vou gostar. Isso só não pode acontecer se for um traço de nossa personalidade genética que não gostemos de ser iguais, ou de ser membros sociáveis, por exemplo.
Outro argumento de apoio surge nesse momento. Um jovem que cresça em São Paulo terá sotaque paulista e não gostará dos cariocas, a não ser que conviva com alguém que é carioca ou esteja em uma comunidade que tem expressões próprias. Outro exemplo é que um membro de classe rica sempre parecerá riquinho, a não ser que cresça com a influência de alguém pobre.
Esse é o momento no qual os genes sexuais se tornam realmente ativos, fazendo os hormônios femininos e masculinos se desequelibrarem. Por isso, tendemos a, nessa idade, nos aproximarmos de membros do sexo oposto, o que não fazíamos antes, por não vermos nenhum atrativo.
Depois, quando crescemos mais um pouco, somos influenciados por nossa família, por nossos professores e por nossa condição financeira a seguir um caminho no mundo do trabalho. Mais um argumento que sustenta a tese é que cada um segue seu caminho, por ter grande variação de influências, e que pessoas da mesma escola, por exemplo, tendem a ter caminhos iguais, como ir para a faculdade ou ir mais cedo pro mercado de trabalho.
As pessoas também tendem a seguir caminhos diferentes, mas mechendo os pauzinhos para ficar junto dos amigos, como, por exemplo, morar na mesma república ou cursar na mesma faculdade. Os laços afetivos são fortes porque foram criados juntos e se acostumaram entre si, fazendo a convivência mais cômoda e estável.
Depois, vamos pro mercado de trabalho, mas continuamos fazendo reuniões com os amigos da faculdade. Largamos as mãos dos pais e dos amigos de infância, porque os velhos amigos e nós mesmos mudamos demais de influência, nos tornando estranhos. Seria mais fácil ter novas amizades no trabalho do que resgatar uma do jardim de infância.
Ainda temos amigos do mesmo sexo, já que algumas características nunca mudam, como tomar um chopp com os amigos ou fazer a manicure com as amigas. Adquirimos um companheiro do sexo oposto, para surprirmos nossa necessidade genética, e fazemos mais amigos no trabalho, pelo gosto. Não adiantaria nada ter uma amiga que não gostasse de nada, apenas acabaríamos isolando-a.
Temos ainda a influência de amigos, como ir a shows ou a museus, depende muito da criação e da carga genética. Quando ficamos velhos, deixamos de ser influenciados para influenciar outros, como um avô faz ao contar uma história pro neto, como um velho da praça ensina um jovem a jogar damas.
Por isso, gostamos muito de ver pessoas que viajaram por lugares diferentes. São coleções de influências, gostos e lendas de outros povos. Por isso que gostamos de ver aqueles programas sobre outros países, ou de alguém que corre o mundo afora. Por isso que gostamos tanto de pessoas tão diferentes e que não gostamos quando não há nada pra se falar ou conversar.
Por fim, tudo isso foi só porque a Dé quis, então não posso (nem quero) desenvolver mais, já que ela quer também desenvolver a partir disso. Beijinho, beijinho, tchau, tchau.