"Mais um dia de inverno, menos um dia de vida" era seu lema de vida. Era obcecado pela vida. Sempre que podia tentava aproveitar ao máximo o momento. Queria que a vida fosse o supra-sumo.
O que não observava era sua falta de tempo. E dinheiro. Dizia que podia se divertir facilmente sem ele. Dizia até que era melhor sem ele. Afinal ele era a favor da abolição do capital.
Seu tempo simplesmente não existia. Como queria aproveitar tudo, saboreava cada segundo como se fosse para o "Underworld" logo no seguinte. Então, vivia uma contradição. Sem tempo, sem aproveitamento. Sem aproveitamento, sem sentido na vida.
Buscava, agora então, tempo. Sentia-se mal sem ele. Sentia um aperto no peito a cada vez que ouvia ou pensava nele. Até um dia ele optou pela rua escura à rua do relojoeiro. Tempo, tempo, tempo.
Ficou obcecado pelo tempo desta vez. Abriu sua agenda e marcou três dias para tê-lo. No primeiro deles ele percebeu que o tempo livre é inútil. Uma chatice. Uma perda de tempo.
Deixou o tempo de lado. Deixou tudo assim. Foi caindo no lado escuro da lua. E assim caindo pouco a pouco no medo. Sabia perfeitamente que o medo não é algo ruim, e sim o mais rico dos bens. Sabia que o medo era o obstáculo, e que a cada obstáculo ultrapassado ficaria mais e mais forte.
Ficou obcecado pelo medo, buscando-o cada vez mais. Mas foi engraçado o fim que isso teve. Perdeu o medo da morte, a fonte do medo. Então que medo mais poderia ter, se sua própria vida não importasse mais?
Enfim percebeu que havia mais um medo a ser combatido. O medo de voltar ao começo. Mas esse medo foi meramente ultrapassado por sua força, sua experiência. Hoje ele vive na mais completa harmonia entre os três estilos de vida. Uma máquina movida à base de obsessão.
No fim - tudo tem um fim, afinal - descobriu o que era a liberdade para si. Era saber aproveitar tudo o que sentia, ter tempo para si mesmo e ultrapassar barreiras, para obter uma liberdade ainda maior. E seu estilo de vida acabou anunciado no seu próprio blog na internet. Incrível, não?