Eu presciso de algo para falar.
Eu presciso de alguém com quem falar.
Não apenas falar.
Falar sobre várias coisas.
Coisas que possam compreender.
Não somente coisas.
Falar sobre coisas é simplesmente inútil.
Falar sobre coisas é um método de fuder com sua própria garganta e até, de certo modo, encurtar sua vida.
Ninguém me compreende.
Quem sabe até eu mesmo não me compreenda.
Nunca falei comigo mesmo.
Acho que nem quero.
Acho que nem presciso.
Eu só presciso falar.
Falar de um jeito que não consigo.
Falar como se fosse compreendido.
Ah, só são palavras.
Palavras que me fariam ficar bem melhor.
E por isso pratico.
Sim, aqui.
Pratico para que algum dia eu me compreenda.
Pratico para que algum dia eu seja compreendido.
Pratico para que algum dia eu faça sentido.
E nesse dia a vida perderá seu único verdadeiro valor.
O valor de compreender tudo.
Pois quando você se compreende, acha algo de aprecido nos outros e, com isso, acaba compreendendo tudo.
Quando você se compreende, você descobre o sentido da vida.
E é isso que procuramos, não?